Sequelas ou alterações
após o Acidente Vascular Cerebral

Aquando da identificação rápida de um quadro de Acidente Vascular Cerebral e após a atuação clinica ajustada a cada situação, podem, ainda assim, restar sequelas mais ou menos temporárias dependendo do tipo de lesão, da extensão e da área do cérebro afetada.

As sequelas mais comuns são:

Alterações da motricidade

Alteração do tónus muscular (hopotonia ou hipertonia), paralisia (hemiplegia ou hemiparésia), dor, fraqueza muscular, contraturas dos músculos ou articulações e alterações de equilíbrio.

Alterações sensoriais

Diminuição ou abolição da sensibilidade superficial (táctil, térmica e dolorosa), parestesias, sensações cutâneas subjetivas na ausência de estímulo (frio, calor, formigueiro, pressão), distúrbios do campo visual sendo o mais comum a hemianopsia. A incontinência urinária é comum após o AVC, particularmente nos doentes mais idosos.

Alterações na Comunicação

Qualquer pessoa com dificuldades de comunicação após um AVC deve ser encaminhada para um terapeuta da fala. Inicialmente, o terapeuta avaliará as necessidades da pessoa em termos de comunicação, do discurso e das competências linguísticas. As alterações mais comuns são as Afasias, marcadas por dificuldades em formar frases gramaticalmente corretas e coerentes ou por dificuldades na compreensão e discurso; a disartria que consiste na perturbação motora dos órgãos da fonação; e a dispraxia que se manifesta pela incapacidade de controlar e coordenar os movimentos que são necessários para falar normalmente.

Alterações cognitivas

As alterações cognitivas podem ser gerais (processamento mais lento da informação), ou podem ocorrer em funções cerebrais especificas (orientação, atenção, memória, visão espacial e construtiva, flexibilidade mental, planeamento e organização, linguagem). O comprometimento pode ser tão diversificado como dificuldades de raciocínio e ausência da capacidade de fazer planos, compreender significados, fazer novas aprendizagens. Relativamente à memória, as sequelas podem manifestar-se por dificuldade em aprender novos conceitos ou habilidades e em lembrar ou recuperar essa informação. Alterações da função executiva também podem traduzir mudanças comportamentais como a capacidade de planear, resolver problemas e de auto-avaliação, de iniciar, controlar ou inibir o comportamento.

Alterações psicológicas

Em muitas pessoas vitimas de AVC, a regulação emocional é um processo que se encontra comprometido, pautado, na maior parte, por intensos sentimentos de receio da recidiva, ansiedade face à reabilitação, frustração perante a incapacidade, raiva projetada à equipa clinica, familiares ou até ao próprio, tristeza e uma enorme mágoa pelas suas perdas físicas e psicológicas, sentimentos esses que representam até certo nível uma resposta normal ao trauma psicológico do evento. A labilidade emocional representa uma falta de controlo sobre as emoções, resultando numa grande tendência para se emocionar de uma forma não ajustada à situação vivida. A depressão é a perturbação mais experienciada pelas vitimas de AVC e é detetada em fases mais avançadas do processo de reabilitação funcional. No seu inicio, a depressão pode surgir como um sentimento de desesperança ou desilusão que impede o indivíduo de ser funcional. Nesta fase é importante avaliar as perturbações do sono, alterações na alimentação com excessivo e súbito aumento ou perda de peso, letargia, falta de motivação, isolamento social, cansaço e ideias suicidas.